Jardim de Inverno de Rafael Moura

19 07 2009

JARDIM DE INVERNO

Relembrando parecia ser mais fácil
Mas aqui estou, errando pelas ruas
Agora a vida me apresenta a pedra bruta
que eu esculpo com as mãos nuas
Não reclamo e você me aluga
E acha tudo muito injusto
Até concordamos com a questão da fuga
Mas cada qual pagará o próprio custo

A minha paz, que continue bem guardada
porque eu me rendo e a guerra segue
pois se um dia devolvido àquela terra
não por isso me sentirei entregue
Eu gostaria de lembrar do berço,
precisar de cuidados e receber sem medo
E desejei o mesmo por você
Você viu desencanto desde muito cedo

Isso tudo porque há um tempo atrás
Houve um verso e um castelo
Surgido de um sonho que não lembro mais
Igualmente insano e belo
E também porque ontem
Voltei ao jardim de inverno
Sejam lindas suas flores
Sem saber o que é eterno

Eu vou esquecer daquilo tudo que passou,
dar um tempo no trabalho e ver o sol se pôr
No jardim de inverno ver o sol.

(lindo poema…não há o que comentar).





O “Adeus da Estação” de Rafael Moura

19 07 2009

Gente descobri um escritor talentoso,que escreve com sentimento e escondido na penumbra. (rsrsrs…)
Esse poema é de autoria de Rafael Moura dos Santos.
Uma bela escrita que não deve ficar nas sombras.

ADEUS DA ESTAÇÃO

Palavras pronunciadas em tom solene
mas dando a entender um certo desapego
Também peço mais respeito ao fim dessa dor
e a estranha conclusão que chego
Contrariando todo argumento
Daquelas lembranças e minha consciência
Nem mais um dia e apesar de tudo
Senti falta de sentir a sua ausência

Poderia haver melhor desfecho
Para o meu caso de apreço a uma ilusão
Em vez de profecias e premonições
Um encontro ao acaso naquela estação
Eu sei nunca me coube esse vazio
Não deveriam ser minhas as relíquias
Mas minhas mãos se dispuseram a recolher
O adeus jogado naquela tarde cinza e fria

Meus versos serão por mim
E pelo que acho que você calou
Pelo que eu nunca tive
E não fiz por merecer

(segundo o autor, escrito em junho de 2008).