Crime Perfeito

3 09 2009

Depois que o perdi não senti mais nada. Literalmente nada. Nem chorei, nem sorri. Mas apesar disso, me sentia mais leve e de alguma forma, em paz. Com o tempo me vi insana. Algo estava diferente dentro de mim. Um vazio preenchia meu interior. Não sabia ao certo o que me havia acontecido mas, a verdade é que, de qualquer forma, me sentia bem. Não era mais feliz mas também não era triste. Resolvi recorrer a um especialista a saber o porquê daquela imensidão mórbida e insípida em minha alma. Fui a um consultório médico. Sentada na sala de espera , aguardando já o diagnóstico, percebi o alvoroço que sem querer causei. Foram chamados todos médicos peritos da região que balançavam a cabeça e sussurravam entre si. Uns espreitavam-me penalizados, outros perplexos e outros ainda nem me lançavam o olhar. Até que um deles criou coragem, dirigiu-se a mim entregando-me as radiografias. Deixou então que eu mesma entendesse o que se passava. No lugar onde devia estar pulsando meu pequeno coração, havia apenas um modesto e enrugado pedaço de papel em que se lia as letras de um crime perfeito, que denunciavam nos traços maiúsculos e oblíquos de seu autor: “ESTOU COM SEU CORAÇÃO. NUNCA MAIS AMARÁS A OUTREM. NÃO EXISTE RESGATE, POIS ESTÁS ETERNAMENTE PERDIDA EM MIM”.


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Uma resposta

23 09 2009
Jeter

wow, hein…rsrsr =D

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