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Borboleta Azul

Oh , borboleta azul.
Em um dia de sol no meu jardim.
Posso te ver da janela e te sentir.
Alegrastes meus dias.
Minhas flores sorriram ao brilho do sol.
Não vá embora, oh, borboleta!
Sei que não és daqui.
Mas sou feliz com teu carinho.
Com teu azul no meu ninho.
E teu som no meu ar.
Se ficares, ganhei uma borboleta.
Mas se te fores. Não me avise.
Saia às pressas sem levar nada.
E não deixe rastros por onde passar.
Por favor, não esqueça nada entre as flores.
E eu, não vou chorar nem sorrir.
Se você partir de mim.
apenas vou deixar você ir.
E lembrar com carinho,
dos pequenos momentos.
Que pertenceste ao meu jardim.

(escrito em 07/05/10, viajando no busão de Bagé a Cruz Alta, indo ver a mamis no dia dela).

Por Favor, Dure Para Sempre…

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Uma manhã sonhei que te perdia.
E de repente, não existia mais o dia.
Não havia mais razão à minha existência,
e nada que eu fizesse dava sentido.
Nenhuma flor quis mais nascer
e todos os sorrisos foram apagados.
A vida ficou em preto e branco
e o sol chorou.
Fiquei sem passado e sem futuro.
Não havia nem dias para contar,
nem lugares pra se conhecer.
Todos os chocolates e algodões-doce
do mundo desapareceram.
Não havia mais dança na chuva
nem som de música.
Até o ar perdeu o vigor
e na terra as plantas murcharam.
O mundo tornou-se insano e as pessoas
desacreditadas.

Me dei conta do quanto te quero.
O teu calor, o teu carinho,
O teu abraço e proteção.
Eu ainda não sei nem a metade
de tudo o que preciso.
Quero teu colo mais muitas vezes.
E tua presença todo o tempo.

E na angústia do triste pesadelo,
Com o coração pesado e incerto,
Acordo sobressaltada ao toque do telefone.
_Ufa, é você..
Pra mais uma vez me tirar
de um sonho mau.
Pra me trazer de volta o jardim e as flores.
Pra acalentar meu sono turbulento
e a tristeza de todas as dores.
Só você pra fazer meus dias cheios
de vida e cor.
E ao som de sua voz ao telefone
Minha vontade foi apenas pedir uma coisa:
Por favor, MÃE! Dure para sempre!

(Bagé, 05 de maio de 2010)
Com saudades da minha mãe.

Às Tontas Com o Relógio

Dia normal. Hora de meu almoço. Eu tenho uma hora inteira pra fazer isso embora eu precise apenas de 30 minutos. Então uso o restante de meu horário, ora pra adiantar algum serviço, fazer alguma compra, ora para simplesmente deixar-me espalhada numa poltrona instalada numa antecâmara do banheiro feminino (o que normalmente é o que eu mais faço). Enquanto espero o tempo passar jogo conversa fora, olho revistas ou fico apenas quieta a escutar a conversa alheia. Esse dia, era um dia de eu ficar quieta. Estavam então várias de minhas colegas a bater-papo quando uma delas dá-se conta de que sua “uma hora” está por fim e exclama: “Meninas! como o tempo passou rápido, já são 25 pras 2…!!”. Nesse momento, eu, que me encontrava no mais absurdo clímax de minha contemplação, acordo sobressaltada, fazendo um movimento rápido para erguer-me: “o quê??? que horas são??? , exclamei imaginando que no horário em que eu já deveria estar trabalhando, eu estava ali, absorta em pensamentos_ todas as mulheres consultam seus relógios e respondem solidárias: “sim, 25 pras duas!” e eu, indignada com a inexatidão do relógio de meu celular, respondo patetamente: ” Mas como que no meu é recém 13 e 35!!!”
[:D]…Conclusão: É…acho que eu preciso de férias mais vezes ao ano…rsrs.[:D].

Manhãs de Domingo

O sol espreita-me pelas frestas que a cortina não esconde. Já se vai meia manhã e me reviro de um lado a outro sem querer acordar. Por fim, o sol convence-me e eu, pesadamente, como idosos, arrasto-me até a cozinha, pego uma caneca com leite quente e volto pra cama. Enquanto bebo meu leite, em silêncio, vou pensando na vida, nas pessoas, na humanidade em geral, na felicidade, na solidão, no silêncio. Deixo que minha mente divague, viaje, e preste atenção. Ouço ao longe os ruídos abafados vindo de outros apartamentos: uma máquina de lavar em funcionamento, um senhor que tosse a todo o momento, barulhos de pratos sendo postos para uma família e uma criança que corre e solta gritinhos de felicidade. Lá fora, não há mais o ruído da semana, das pessoas passando pra irem trabalhar, as portas do comércio se abrindo, as crianças indo pra escola. Não, hoje está tudo em silêncio. A cidade está como morta. Os carros passam vagarosamente, como a respeitar o meu silêncio. Quem sabe onde vão num dia como hoje? Talvez visitar alguém, reunir os amigos em algum lugar. E enquanto isso, eu apenas divago, numa corriqueira e solitária manhã de domingo.

O mesmo que eu sinto

Caminhavam dois homens, fortes, aparentemente jovens, cabisbaixos e conversavam entre si. Não dava pra saber ao certo o que diziam até que se aproximasse deles. O dia estava quente e o sol brilhava forte. Depois de três dias nublados e sombrios esse havia amanhecido radiante. E, apesar disso, eles ainda estavam cabisbaixos porém com um brilho de esperança no olhar. O caminho era um tanto íngreme, mas eles não sentiam seus pés. Haviam passado três dias de muito sofrimento e agora, estavam ali, cogitando a hipótese da notícia trazida por aquelas mulheres. Sabem como são as mulheres, né? elas podem se impressionar com algumas coisas, são sensíveis e falam demais. De repente elas sonharam isso e acham que aconteceu. Elas podem estar imaginando coisas ou talvez possa ser verdade. Mas se for coisa da cabeça delas, como explicar o que os homens viram, então? elas podem ter aumentado a história, oras! Mas e se for verdade? o que realmente terá acontecido?
De repente ao longo do caminho, um homem, com aparêcia de estrangeiro os alcança, pelo menos é o que eles acham porque nunca o viram antes por aquelas bandas e tão pouco o tal homem sabia das últimas novidades da cidade. Aquele cara estava realmente por fora, mas ele parecia boa gente, dessas que transmitem coisas boas enquanto falam. Deixaram-no acompanhá-los: _O que aconteceu?_ disse o estranho. _ Ué, mas você veio de onde que não sabe do que tem acontecido aqui em Jerusalém? Nosso Mestre foi morto há três dias. Ele foi muito poderoso tanto em obras como em palavras. E nós o tínhamos como a Esperança para Israel. Mas o povo fez isso pra nos amedrontar, pra mostrar que são mais fortes, e, agora, não sabemos o que fazer, nada mais faz sentido sem Ele. Mas hoje de manhã, algumas mulheres disseram ter ido ao sepulcro e que estava vazio e também que um anjo apareceu a elas e disse que Ele estava vivo! e depois uns homens que também estavam conosco, foram até lá e confirmaram o que as mulheres disseram. Agora, nem sabemos o que pensar!
_ Mas vocês têm uma certa dificuldade em crêr nas coisas não? era isso mesmo que tinha que acontecer!_ e o estranho seguiu explicando-lhes sobre o que diziam as profecias. No meio da conversa chegaram então a Emaús, o lugar onde estavam os outros discípulos reunidos.
_ Fique conosco, estrangeiro! já é tarde, fique conosco!_Pediram eles àquele homem, que, de certa forma, tinha algo de especial que não puderam entender. Ele transmitia algo bom, uma paz, uma alegria que não se explica. E no meio da reunião, no momento de cear, o estranho toma o pão em suas mãos marcadas pelos cravos e o parte. E nesse gesto tão peculiar de uma pessoa que eles bem conheciam, o Mestre se revela. Era o Mestre que estava com eles, não estavam mais sozinhos! não estava tudo perdido! Ele estava ali, bem ali e estivera com eles pelo caminho! como puderam não o ter reconhecido? em suas palavras? em seus gestos? por isso ele sabia tanto! por isso sentiam aquela paz, aquela alegria inexplicável! era o Mestre que estava presente! Ele realmente havia ressuscitado! as mulheres não viram nada pra mais! Ele estava ali, agora, no meio deles. Agora podiam entender: a história, as profecias, tudo estava se esclarecendo, Ele ressuscitou!
E Ele ressuscitou não só pra história, Ele realmente ressuscitou! Ele ressuscitou pra Hoje! Ele realmente está presente hoje! aqui e aí com você que está lendo esta história! Ele ressuscitou pra trazer a salvação a todos que aceitarem a sua graça. Ah…a graça…é, a graça! A graça, é o que não merecemos nem de longe, mas pela graça obtemos o que não merecemos. Mesmo sabendo que não temos condições de alcançarmos por nós mesmos, sabemos por meio da fé que Ele nos ama. Mesmo não entendendo esse tão grande amor, cremos que pela graça e por esse amor somos salvos e Ele é apaixonado por nós.
Ele ressuscitou! creio que você também está sentindo essa paz e essa alegria que te dá vontade de chorar e ao mesmo tempo sorrir, de amar e abraçar o mundo inteiro! sim!! não duvides, não deixe que você o descubra apenas quando Ele partir do pão! creia já! é Ele que está aí com você! essa alegria é Ele! é a mesma alegria que aqueles homens estavam sentindo! Aproveite essa companhia e não o deixes mais ir embora, convide-o a ficar, cear contigo e quando você abrir os olhos, vai ver que tudo começará a fazer sentido.

Daniela Vaz, em 28/02/10.

Nosso começo…

Rebecca nasceu dia 27 de janeiro de 2009. Ela foi a melhor coisa que me aconteceu depois que eu vim morar em Bagé. Ela tinha 3 meses quando eu a trouxe de Santa Maria. Era um dia de sol porém frio. Eu usava um moleton vermelho do Jéter e a envolvi em meu colo. Era tão pequenina, com aquele focinho preto e duas bolitinhas arregaladas e medrosas. Me apaixonei. Quando chegamos a Bagé, eu estava ansiosa, seria uma grande experiência ter um bichinho de estimação morando sozinha. Eu teria que cuidá-la, seria responsável por ela, de alguma forma, acendeu em mim um espírito materno. Na primeira noite apesar da insistencia dela, consegui fazer com que ela dormisse num cobertor velho conseguido com minha mãe, a partir da segunda noite, não pude resistir aquela carinha preta com dois grandes olhos azuis que me espreitavam e vagarosamente se encarapitava em meu pés ou ao lado da minha cabeça no travesseiro. Não adiantava, eu podia até enxotá-la, ela voltava e amanhecia ao meu lado. Acabei por ceder e me acostumei. Ela é companheira, carinhosa, brincalhona, geniosa. Não consigo mais imaginar minha vida sem ela. hehe.

É só o frio

Uma dor me percorre o corpo,
mas é só o frio.
Tudo está em preto e branco,
mas é só o frio.
As nuvens brincam de esconder o sol,
mas é só o frio.
As flores secam sem forças,
mas é só o frio.
Todas as vozes se calam,
mas é só o frio.
Esperanças se perdem,
mas é só o frio.
Não se crê mais no além,
mas é só o frio.
Ninguém mais ama ninguém,
mas é só o frio.
(06/09/09, Bagé).

Porquê Sem Resposta

Tenho sentido
Que nada tem sentido.
E eu tenho sumido
Como um vapor.
Tenho buscado o fim,
Mas me perco no meio.
Por que o fim,
Não é apenas fim?
Por que o mundo,
Não é apenas mundo?
Por que a dor
Não pára um segundo?
Por que o nada,
se torna tudo o que se tem?
Por que um grito
se torna um silêncio?
Por que as lágrimas
Se tornam expostas?
E minhas perguntas,
Simplesmente não têm respostas?

(Bagé, 06/09/09).

Crime Perfeito

Depois que o perdi não senti mais nada. Literalmente nada. Nem chorei, nem sorri. Mas apesar disso, me sentia mais leve e de alguma forma, em paz. Com o tempo me vi insana. Algo estava diferente dentro de mim. Um vazio preenchia meu interior. Não sabia ao certo o que me havia acontecido mas, a verdade é que, de qualquer forma, me sentia bem. Não era mais feliz mas também não era triste. Resolvi recorrer a um especialista a saber o porquê daquela imensidão mórbida e insípida em minha alma. Fui a um consultório médico. Sentada na sala de espera , aguardando já o diagnóstico, percebi o alvoroço que sem querer causei. Foram chamados todos médicos peritos da região que balançavam a cabeça e sussurravam entre si. Uns espreitavam-me penalizados, outros perplexos e outros ainda nem me lançavam o olhar. Até que um deles criou coragem, dirigiu-se a mim entregando-me as radiografias. Deixou então que eu mesma entendesse o que se passava. No lugar onde devia estar pulsando meu pequeno coração, havia apenas um modesto e enrugado pedaço de papel em que se lia as letras de um crime perfeito, que denunciavam nos traços maiúsculos e oblíquos o seu autor: “ESTOU COM SEU CORAÇÃO. NUNCA MAIS AMARÁS A OUTREM. NÃO EXISTE RESGATE, POIS ESTÁS ETERNAMENTE PERDIDA EM MIM”.

Jardim de Inverno de Rafael Moura

JARDIM DE INVERNO

Relembrando parecia ser mais fácil
Mas aqui estou, errando pelas ruas
Agora a vida me apresenta a pedra bruta
que eu esculpo com as mãos nuas
Não reclamo e você me aluga
E acha tudo muito injusto
Até concordamos com a questão da fuga
Mas cada qual pagará o próprio custo

A minha paz, que continue bem guardada
porque eu me rendo e a guerra segue
pois se um dia devolvido àquela terra
não por isso me sentirei entregue
Eu gostaria de lembrar do berço,
precisar de cuidados e receber sem medo
E desejei o mesmo por você
Você viu desencanto desde muito cedo

Isso tudo porque há um tempo atrás
Houve um verso e um castelo
Surgido de um sonho que não lembro mais
Igualmente insano e belo
E também porque ontem
Voltei ao jardim de inverno
Sejam lindas suas flores
Sem saber o que é eterno

Eu vou esquecer daquilo tudo que passou,
dar um tempo no trabalho e ver o sol se pôr
No jardim de inverno ver o sol.

(lindo poema…não há o que comentar).

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